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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

RETROSPECTIVA TRICOLOR 2010

- 2010 CHEGA AO FIM! Ano que entusiasmou no início, irritou na metade e, após mudanças, terminou com vaga à Copa Libertadores e com boas perspectivas para o novo ano. Portaluppi continua no comando, Odone está de volta. Que 2011 seja de festas no "velho casarão" ou na Goethe. Ano de 2010 passado a limpo, agora aqui no Blog Imortal Sonho!

- O NOVO COMANDANTE. A direção gremista tentou Adílson Batista. Em vão, pois o Capitão América preferiu ficar no Cruzeiro. O Plano B apresentava dois nomes: Dorival Júnior e Silas. A torcida se dividia nas opiniões, e ainda tinha quem achasse nenhum dos dois confiáveis. O primeiro acabou escolhendo o Santos. O Grêmio ficou com Silas. O novo técnico chegava sem grande currículo, apenas com um bom e longo trabalho no catarinense Avaí. O tempo diria (e disse) se a escolha foi certa ou errada.

- Ô BALANCÊ, BALANCÊ... Uma completa perda de tempo. Assim defino o Campeonato Gaúcho de Futebol. A pré-temporada non ecziste, o prejuízo é grande se algum jogador se lesiona, o calendário de jogos sempre atrapalha. A integração do futebol gaúcho não justifica. Mas se houve algum bom motivo para a disputa, foi ter visto o constrangido Fernando "pedalado" Carvalho entregar a taça que leva o seu nome às mãos de Duda Kroeff. Momento sublime estar lá para ver o coro da Geral em 40 mil vozes o "homenageando". Na vitória por 1x0 sobre o Novo Hamburgo, gol de Ferdinando (foto), o Grêmio conquistou o 1° turno do Gauchão, que o garantiu na final da competição.

- APAGUEM OS REFLETORES. A foto é anterior à tragédia. Na mesma noite em que foi tirada, 8 de abril, o que não ocorria há mais de 18 meses, ou 51 jogos, no Olímpico Monumental aconteceu. O Grêmio teve de encarar uma derrota em seus domínios. E justo para o Pelotas, de virada, pelas quartas do 2° turno do Gauchão. Eliminado em casa, sem mais sua invencibilidade. O vencedor do turno e adversário nas finais do estadual era o Internacional.

- O 36° "CAFEZINHO". Se é para conquistar (e ter graça) o Gauchão, que isso aconteça em cima "deles". E se a taça for para o armário com uma vitória em pleno aterro, aí fica "bem melhor de bom". Foi assim em 2010, o único e singelo (mas significativo, vai?) título gremista do ano. Veio com duas buchas de cabeça, uma delas de Borges (foto). Confira aqui os gols do título.

Com o placar conquistado uma semana antes, o jogo no Olímpico, apesar do 1x0 contra, serviu para administrar o placar e esperar o apito final para a festa de campeão. O gol colorado, logo no início, foi um fato isolado em 90 minutos de superioridade do Grêmio. Legítimo Campeão Gaúcho, pela 36ª vez.

- GRÊMIO NA COPA DO BRASIL. O caminho para trilhar o melhor atalho, que se tem notícia, à Copa Libertadores, começou em terras distantes. Em Rondonópolis, Mato Grosso, contra o Araguaia, o Grêmio venceu por 3x1 e eliminou o jogo da volta. O próximo adversário foi o Votoraty, do interior paulista. Vantagem conquistada fora de casa (1x0) e confirmada (3x0) no segundo jogo.

Eliminados os times de pouca expressão, o tricolor tinha pela frente o Avaí pelas oitavas. O primeiro teste do ano começou no Olímpico (3x1 a favor) e acabou na Ressacada (3x2 contra). Classificado às quartas, o time copero de costume parecia voltar a dar as caras.

A confirmação veio no Maracanã, contra o Fluminense, com um jogador a menos, 3x2 no placar. O adversário em crise, quem diria Campeão Brasileiro meses depois, não foi páreo no segundo jogo e o Grêmio facilmente venceu por 2x0. Estávamos nas semifinais, diante do time mais badalado do país.

- O JOGO DO ANO. Faltam palavras, tanto tempo depois, para explicar aquela partida. Jogo de ida da semifinal contra o Santos, no Olímpico Monumental. Casa cheia para a "final antecipada" - a outra semifinal era entre Vitória e Atlético Goianiense. Plena confiança da torcida para acabar com a alegria dos "Meninos da Vila". E em 20 minutos a casa foi ao chão. O time alvinegro praiano fez 2x0. Três minutos depois um alento, pênalti para o Grêmio. Jonas correu para a bola e... perdeu. O 1° tempo se encerrou.

Eis que renasce, após o intervalo, a nossa, só nossa, velha IMORTALIDADE. Capaz de feitos épicos, sempre
os maiores, por vezes inacreditáveis. Quatro buchas: aos 12, 18, 22 e 31 minutos. Foram três de Borges e um de Jonas. Em menos de 19 minutos o tricolor virou, ampliou e goleava por 4x2. Para ficar na lembrança para todo o sempre estes minutos de glória tricolor. Mas restavam alguns minutos até o apito final. Descuido da defesa e o adversário diminuiu para 4x3. Um gol que custou caro uma semana depois.

- NADA DE PENTA. Para que o sonho do pentacampeonato da Copa do Brasil tivesse continuidade, o Grêmio teria que superar o acanhado estádio da Vila Belmiro. Um local inóspito, onde o tricolor poucas vezes saiu festejando. E naquela noite de 19 de maio, mais uma vez, o final não foi feliz para os gremistas. O 1° tempo acabou 0x0, diferente da etapa complementar. O Santos abriu 2x0 em meia-hora. A equipe gremista ainda diminuiu, mas na tentativa do gol da classificação, levou o terceiro. Fim da linha.

- BRASILEIRÃO PRÉ-COPA. Em ano de Copa do Mundo, desde 2006, o Campeonato Brasileiro sofre com uma paralisação de mais de 30 dias. Em 2010, foram sete rodadas até todas as atenções se voltarem à África do Sul. Para o gremista foi um tempo nebuloso. O clube, entenda-se direção, havia colocado todas as fichas na disputa pelo quinto caneco da Copa do Brasil. A eliminação nas semifinais foi um duro golpe ao planejamento de tiro curto implementado pelo departamento de futebol.

Antes mesmo da eliminação no objetivo do ano, um empate e uma derrota (no Olímpico) nas duas primeiras rodadas do Brasileirão. Nas cinco rodadas seguintes, um já desacreditado tricolor conquistou duas vitórias, saiu derrotado em duas oportunidades e ficou no empate em outra. Após a derrota para o São Paulo (foto), pelo placar de 3x1, na última rodada do Brasileirão pré-Copa, a parada vinha em boa hora. Restava ao Grêmio aproveitá-la. Sabemos que não aproveitou.

- COPA DA HORA ERRADA. A pré-temporada gremista até o retorno ao Brasileirão pós-Copa não seria somente de treinamentos. Amistosos foram marcados. Em Rivera, no Uruguai, o Grêmio venceu o uruguaio Nacional por 3x1 e conquistou o Troféu Fronteira da Paz. Dias depois, o "Império" de Silas começou a declinar.

No seu anterior local de trabalho, a Ressacada do Avaí, o treinador ouviu as primeiras contundentes críticas ao seu trabalho. O torcedor já andava desconfiado e a campanha desastrosa na Copa da Hora só trouxe mais razão para a falta de confiança no trabalho do "pastor". Uma vitória e duas derrotas, que deixaram o tricolor na lanterna do torneio promovido pelo Grupo RBS. O Vasco foi o campeão, justo quem vencemos por 3x0 (foto). Avaí e Coritiba, que nos derrotaram pelos placares de 3x2 e 2x0, respectivamente, acabaram na 2ª e 3ª colocações. Uma vergonha de campanha, por mais que fossem amistosos.

Para encerrar o período de recesso do campeonato nacional, um amistoso entre Grêmio e Juventude - jogo que marcou a despedida do volante Lauro. No Alfredo Jaconi, empate em 2x2 com péssima atuação da equipe gremista.

* Ressalte-se aqui a injustiça do
técnico Dunga ao não levar o melhor goleiro do país, a "muralha" Victor.

- OS SETE ERROS. O período de treinamentos e amistosos havia acabado, com críticas de jogadores quanto à estrutura e da torcida do baixo aproveitamento. Na sequência do nacional, sob pressão, Silas cometeria sete equívocos: três em casa e quatro fora. Da 8ª a 13ª rodada empatou quatro vezes (duas no Olímpico) e perdeu duas (uma em casa). Além disso, arrancou um empate com o Goiás fora de casa na estreia da Copa Sul-Americana. Foi o seu limite. Não só o dele...

- AS DECISÕES TOMADAS NA HORA CERTA. Após 20 meses no cargo de presidente do Grêmio, Duda Kroeff tomou as grandes decisões do seu mandato. Sozinho, sem intermediários, de forma acertada. Em 8 de agosto, logo após derrota por 2x1 para o Fluminense em pleno Olímpico, o mandatário demitiu o técnico Silas e o diretor de futebol Luís Onofre Meira. Enfim, havia tido coragem para tomar as rédias pela primeira vez. Os demitidos deixaram o clube na 18ª colocação, com 12 pontos em 13 rodadas e 30,77% de aproveitamento. Antes da chegada do novo técnico, o zagueiro Rodrigo foi dispensado pelo clube.

Passado o fim da Era Silas e Meira, Kroeff colocou Alberto Guerra (à esquerda na foto) no comando do vestiário e sua primeira missão foi viajar ao Rio de Janeiro, a fim de contratar o novo treinador. Especulações surgiram para quem ocuparia o cargo. Mas o presidente ouviu o clamor das arquibancadas. Era chegada a hora de trazê-lo de volta à casa. Não com camisa 7 às costas e correndo uma barbaridade pela ponta direita. Mas ainda capaz de lotar aeroporto. Agora comandaria o clube da casamata. Renato Portaluppi, enfim técnico do Grêmio.

- ESCREVENDO O PRÓPRIO DESTINO. Renato Portaluppi chegou à tarde em Porto Alegre e poucas horas depois estreava à beira do gramado no Olímpico. Quando surgiu do túnel do vestiário e o estádio o saudou, a torcida parecia acreditar que a salvação seria imediata. Que engano. Um gol do Goiás, logo a 8 minutos de bola rolando, fez os poucos 14 mil gremistas esquecerem a noite de "festa" e vaiarem os jogadores. A etapa final, com "dedinho do Renato no time", teve gol gremista mal anulado (o que levaria o jogo aos pênaltis) e o segundo gol dos goianos no último minuto.

O Grêmio estava eliminado da Copa Sul-Americana, competição tida como meta do ano devido à má campanha no nacional e que daria, caso vencida, uma vaga à Copa Libertadores 2011. O tricolor acabou escrevendo seu futuro certo por linhas tortas. A competição internacional e o Goiás ainda estariam no nosso caminho, dentro em breve.

- O QUE FIZERAM COM O MEU GRÊMIO? Somente um mês depois de sua estreia com derrota para o Goiás, Renato Portaluppi concedeu sua primeira entrevista exclusiva à imprensa. Aos jornalistas do jornal Zero Hora, o técnico falou daquela noite: "Você (Alberto Guerra) não me passou tudo que havia de problemas". Foi nesta conversa que Portaluppi lembrou o que disse no intervalo da partida para algumas pessoas: "O que fizeram com o meu Grêmio?". De fato, a eliminação logo na estreia deve ter posto um ponto de interrogação em sua cabeça: "Onde eu fui me meter?".

- PEDRAS NO CAMINHO. Com o foco direcionado nas 25 rodadas restantes do Campeonato Brasileiro, o Grêmio viveu tempos de turbulência nos nove jogos seguintes à eliminação da Copa Sul-Americana. O primeiro jogo válido pelo nacional, sob o comando de Portaluppi, foi justamente contra o Goiás três dias depois. Vitória gremista por 2x0. Os dois próximos jogos serviriam para embalar a equipe, não fossem os insucessos: fora de casa contra o Ceará e em casa contra o Santos (ambas derrotas pelo placar de 2x1). Na sequência empates com Atlético Paranaense e Botafogo (fora) e vitórias sobre Guarani e Atlético Goianiense (em casa). O rebaixamento já não assombrava o clube.

Na 21ª rodada, contra o vice-líder Corinthians, um jogo dramático elevou o moral da equipe. No Pacaembu lotado,
com talento, garra e, novamente, IMORTALIDADE, o Grêmio superou a equipe paulista por 1x0, com jogador expulso no início da etapa final e pênalti defendido pela "muralha" Victor logo em seguida. Depois da partida, Portaluppi falou que era "uma vitória de quem quer chegar na Libertadores". Afobação justificada pelo modo que foi conquistada a vitória, mas que sofreu um revés na rodada seguinte.

15 de setembro. Aniversário de 107 anos do Grêmio. Bom momento do clube (em ascensão), 12ª posição, estádio lotado. A festa teria como convidado o eterno Felipão, comandando o Palmeiras (foto), uma posição atrás do tricolor. Mas o velho
Big Phil estragou a festa gremista. O time paulista venceu por 2x1 e colocou a equipe de Portaluppi com os pés no chão. Um resultado ruim, mas com uma boa lição.

- RENOVOU O CONSELHO! O dia 11 de setembro foi, além de dia de vitória épica sobre o Corinthians no Pacaembu, dia de eleições para o Conselho Deliberativo do Grêmio. Três chapas concorreram: Renova Tricolor (oposição), Dá-lhe Grêmio (situação) e Terceira Via (sócios). E 4.624 gremistas foram às urnas localizadas no Quadro Social do Olímpico. Após às 18h, a comissão eleitoral anunciou a chapa Renova Tricolor como única a superar os 30% da cláusula de barreira, conquistando 2.327 votos (50,42%) e levando seus 150 inscritos (+ 30 suplentes) ao renovado conselho gremista. A chapa Dá-lhe Grêmio ficou com 1.159 votos (25,11%) e a chapa Terceira Via com 1.129 (24,46%).

- MAIS UM MANDATO. A vitória da chapa Renova Tricolor, de oposição, no mês anterior solidificou a candidatura de Paulo Odone Araujo Ribeiro para um quinto mandato de dois anos à frente do Grêmio. Há três anos, sua chapa havia vencido e conquistado 100 cadeiras do Conselho Deliberativo. Com a nova vitória este ano, 250 conselheiros estavam ao seu lado. Em 8 de outubro, em votação apenas de conselheiros, Paulo Odone foi aclamado presidente para o biênio 2011/2012 com 222 votos (80,4%) contra os insuficientes 54 votos (19,6%) do candidato adversário Airton Ruschel (à esquerda na foto). Com o percentual de Ruschel abaixo dos 30% da cláusula de barreira, não foi necessária realização de 2° turno com a participação do associado gremista. Ainda em outubro, o presidente do Conselho Deliberativo Raul Régis de Feitas Lima foi reeleito para mais três anos de mandato.

- O VIRTUAL É REAL. A data não poderia ter sido mais apropriada para a ocasião: 20 de setembro. Cinco dias depois do aniversário do clube, o Grêmio marcou para a data histórica dos gaúchos o início das obras da Arena do Grêmio, no bairro Humaitá, zona norte de Porto Alegre. Uma grande festa foi preparada, com carreata (foto) saindo do Olímpico Monumental e cruzando a cidade até o terreno do futuro estádio tricolor. Onde havia uma movimentação jamais vista na região, com cerca de 10 mil gremistas chegando de todos os lados, como se fosse um ensaio para o que de semana em semana ocorrerá a partir do final de 2012 - época prevista para a inauguração.

Até a chegada dos dirigentes gremistas, representantes da construtora OAS e autoridades, os milhares de gremistas ficaram debaixo do sol forte (exceto os VIPs) aguardando a demorada chegada da carreata ao som de "música". Já estava o sol a se pôr, quando o evento principal começou com discursos entusiasmados, helicóptero trazendo uma leiva de grama do Olímpico nas mãos do capitão Hugo de León e as máquinas (dois bate-estacas) lançando a pedra fundamental da Arena do Grêmio (foto). "O que os nossos adversários já chamaram de estádio de papel, passa a partir de hoje a ser uma ARENA DE CONCRETO E AÇO", palavras do então e agora ex-presidente da Grêmio Empreendimentos, Adalberto Preis, em discurso no dia do começo das obras.

- DEZESSEIS FINAIS. O Grêmio amadureceu após a derrota para o Palmeiras. Dali em diante, da 23ª a 38ª rodada, o Grêmio teria um aproveitamento de 77%, com 11 vitórias, 4 empates e apenas uma derrota para o Fluminense, justo campeão da competição ao final das 38 rodadas. Essa reta final começou longe de casa. Contra o Avaí, vitória fácil por 3x0. Depois, empate em casa com o Flamengo e quatro vitórias sobre Atlético Mineiro e Vitória (fora de casa) e São Paulo e Prudente (no Olímpico). Em São Januário, contra o Vasco (foto), um empate alcançado aos 43 minutos do 2° tempo na base da bravura quando o placar chegou a estar 3x1 contra - no final 3x3. Mas os jogos mais difíceis ainda estavam por vir, três deles na sequência: Cruzeiro e Internacional no Olímpico, Fluminense no Engenhão.

No Olímpico, o Grêmio enfrentou primeiro o Cruzeiro (foto), líder do campeonato à época. Um grande jogo, onde não faltou nervosismo. O time mineiro saiu na frente, mas antes do término da etapa inicial o tricolor chegou ao empate. Foi necessária meia hora de sofrimento até que um pênalti, posteriormente bem cobrado por Jonas, levasse o Grêmio à 7ª colocação, mesma pontuação (46 pontos) para o G-4 e quatro pontos atrás do G-3.

Pela 31ª rodada, também em casa, o sempre esperado GRE-nal (foto). Empate em 2x2, com direito à Fábio Rochemback de goleiro e Fábio Santos o melhor em campo. Na rodada seguinte, mais um líder pelo caminho e agora fora de casa. O tricolor conheceu uma derrota após nove jogos de invencibilidade. Diante do argentino Conca, melhor jogador do campeonato, e de seu Fluminense, sucumbimos por 2x0. Vale lembrar que o careca da foto acima nos "operou" quando não marcou pênalti claro.

- OBJETIVO G-4. A derrota para o Fluminense tirou o Grêmio de um sonho de título e também de G-3. A meta era buscar a 4ª colocação, mesmo sem a certeza de garantir assim vaga à Copa Libertadores. Naquela altura da 32ª rodada do nacional, Atlético Mineiro, Palmeiras, Goiás e Avaí estavam na disputa da Copa Sul-Americana - caso ela fosse conquistada por algum deles, a Conmebol "roubaria" uma vaga do Brasileirão. Nas 33ª e 34ª rodadas, duas vitórias sobre Goiás (2x0 fora de casa) e Ceará (5x1 em casa) e um empate com o Santos na Vila Belmiro mantiveram o Grêmio na disputa pela "quarta vaga". Botafogo e Atlético Paranaense tinham ambos 56 pontos, o tricolor dois pontos a menos.

- ERA PARA TER SIDO DIFÍCIL? Restando apenas três rodadas para o término do Campeonato Brasileiro, o Grêmio havia se tornado de rebaixável (por mais que nunca tenha acreditado nisso) a postulante à vaga da Copa Libertadores. Com algumas rodadas a mais poderia, nas palavras de Renato Portaluppi, lutar pelo título. O favoritismo pelo G-4 era baseado nas decisões dentro do Olímpico contra os adversários diretos Atlético Paranaense e Botafogo, mais um jogo fora de casa contra o quase rebaixado Guarani. Depois de tanto trabalho árduo, a tarefa havia ficado fácil.

- FIM DE FESTA! Pela 36ª rodada, no Olímpico de 30 mil gremistas, mandamos os patéticos paranaenses "catar coquinho" em outra freguesia. Sonoros 3x1 para não ter "chororô" (segunda foto acima). Em Campinas, rebaixamos o Guarani sem misericórdia pelo placar de 3x0. O Grêmio já era 4° colocado, com 60 pontos e só dependia dele mesmo na última rodada. O Atlético Paranaense já era carta fora do baralho. Restava um inimigo, a ser encarado no caldeirão do Olímpico, com seus mais de 45 mil gremistas. Uma linda festa nas arquibancadas, um espetáculo dentro de campo e um final de festa em 2010 com 3x0 sobre o Botafogo. De 18° colocado na 13ª rodada, onde Silas nos deixou, para a 4ª colocação na 38ª rodada, com Renato Portaluppi. Agradecimentos deles a nós (foto), e de nós a eles. Mas o ano não havia acabado...

- O SALDANHÃO É NOSSO! O Grêmio acabou o Campeonato Brasileiro de 2010 na 4ª colocação, com 63 pontos e 55,3% de aproveitamento. Foram 17 vitórias, 12 empates e 9 derrotas. Terminamos com o ataque mais positivo (68 gols marcados) e o segundo melhor saldo (25 gols).

Com Silas: 2 vitórias, 6 empates e 5 derrotas (30,7% de aproveitamento). A melhor colocação foi a 10ª colocação na 6ª rodada.

Com Portaluppi: 15 vitórias, 6 empates e 4 derrotas (68% de aproveitamento). A melhor colocação foi a 4ª colocação conquistada na 36ª e mantida até a 38ª rodada.

No 1° turno: 16ª colocação com 20 pontos (4 vitórias, 8 empates e 7 derrotas) e 35% de aproveitamento.

No 2° turno: 1ª colocação com 43 pontos (13 vitórias, 4 empates e 2 derrotas) e 75% de aproveitamento. Com esta campanha, o Grêmio conquistou o Troféu João Saldanha por ter sido o Campeão do 2° Turno do Brasileirão 2010. A homenagem é simbólica e oferecida pelo jornal Lance!, e
foi entregue ao presidente Duda Kroeff antes da última rodada do campeonato nacional. Em 2008, o tricolor recebeu o Troféu Osmar Santos por ter sido o Campeão do 1° Turno.

- ELES JOGARAM DE AZUL... Às vésperas de Grêmio e Botafogo, jogo válido pela última rodada do Brasileirão, o Goiás iniciou as finais da Copa Sul-Americana após superar Avaí e Palmeiras nas fases anteriores da competição. Rebaixado no campeonato nacional, restava ao time goiano aliviar o sofrimento da queda com a conquista inédita de um título internacional. O adversário foi o Independiente, o Rey de Copas que não levava uma há 15 anos. A primeira partida foi quase uma ducha de água fria a gremistas e botafoguenses: 2x0 para o Goiás no Serra Dourada contra um time argentino "ruim que dói". Ainda sim, o Grêmio fez sua parte e venceu o Botafogo.

Apesar de o resultado ser desanimador e ser grande a descrença na reversão de expectativa para o jogo da volta na Argentina, sobrava ao gremista torcer pelo fraco, porém copero, Independiente. Em Avellaneda, no caldeirão Libertadores de América, o Goiás teria seu batismo de fogo.
Ou se tornava grande ou seguiria seu curso como clube pequeno. Em 34 minutos de etapa inicial, o impossível estava feito: 3x1 para os diablos rojos. O difícil foi aguentar o sofrimento dos dois terços finais de jogo. O time goiano jogava melhor, o argentino se arrastava em campo. Ainda vieram 30 angustiantes minutos de prorrogação. O destino seria traçado nos pênaltis. E a jovem Sul-Americana deu ouvidos à senhora Libertadores. Queria ela dois de seus velhos conhecidos: Independiente e Grêmio.

- ...PRETO E BRANCO. O mês de dezembro foi azul, preto e branco. O Grêmio chegou ao G-4 nas últimas rodadas do Brasileirão e ali permaneceu até o fim. Dias depois, o Independiente, tradicional rojo (vermelho), se vestiu de azul e conquistou a Copa Sul-Americana (foto acima depois do vídeo), levando o tricolor à Copa Libertadores em 2011. Para fechar, em 14 de dezembro, um fiasco "Internacional" aconteceu em Abu(não)Dhabi. O Todo Poderoso Mazembe, da República Democrática do Congo (África), derrotou sem piedade por 2x0 quem ousava comemorar antes da hora. A taça de Campeão do Mundo ficou com a Internazionale de Milão e seu uniforme azul, preto e branco.

- DE DUDA PARA ODONE. Em 22 de dezembro de 2008, Paulo Odone entregava a presidência do Grêmio à Duda Kroeff. Em 15 de dezembro de 2010, o inverso ocorreu. Em dois anos de mandato, Duda conquistou o Gauchão 2010, chegou às semifinais da Libertadores 2009 e da Copa do Brasil 2010, à 8ª colocação no Brasileirão 2009 e à 4ª colocação no Brasileirão 2010, o que garantiu o Grêmio na Libertadores 2011. No extra-campo, desenvolveu projetos como o Exército Gremista, lançado em 2009, e outros trabalhos nas demais áreas do clube. Seu pior saldo foi nas categorias de base, um completo desastre em 2010. À Odone, deixou um grupo forte para buscar o tricampeonato da América e a expectativa de um futuro melhor com o andamento das obras da Arena do Grêmio. Mas seu maior legado, sem dúvida, foi ter trazido Renato Portaluppi para ser técnico após a sua acertada decisão de demitir Silas.

- NOVA DIRETORIA. Em 15 de dezembro, tomou posse o novo Conselho de Administração do clube para os anos de 2011 e 2012. Na foto, da esquerda para direita: Carlos Tadeu Vianna, Ricardo Vontobel e Eduardo Antonini (vice-presidentes), Paulo Odone (presidente), Antônio Vicente Martins e Francisco Rocha dos Santos (vice-presidentes). Em janeiro de 2011, o presidente Paulo Odone deverá oficializar Marco Antônio Scapini em cargo de vice-presidente no lugar de Alfredo Oliveira, o Carioca, falecido em novembro. Nos discursos, tanto Paulo Odone quanto o ex-presidente Fábio Koff pregaram a união de todos em prol do clube. Ainda foram ouvidas piadas em razão da vitória do Mazembe no dia anterior. Odone está no seu quinto mandato de dois anos. Foi presidente de 1987 a 1990 e depois de 2005 a 2008.

- CONTRATAÇÃO, RENOVAÇÕES, SAÍDA E ESPECULAÇÕES. Antes do final de 2010, o Grêmio apresentou no Olímpico o atacante Lins (foto), que chega por empréstimo de um ano junto ao Criciúma. O atacante André Lima renovou por três anos o seu contrato e o lateral-esquerdo Lúcio por dois anos. O criticado lateral-esquerdo Fábio Santos não acertou bases salariais com o clube e não ficará para 2011. Entre as especulações, há a contratação do jovem zagueiro uruguaio Sebastián Coates, que viria por meio da parceria Grêmio/Traffic, e a bomba que Odone fez explodir quando anunciou que o clube estava em negociações avançadas para o retorno de Ronaldinho Gaúcho. Mas a negociação virou novela e acabado 2010, ainda não teve fim.

> O QUE MAIS ACONTECEU EM 2010?

- SOY LOCO POR TRI AMÉRICA! O Grêmio não estava em campo, mas o seu destino sim. E assim, diante da TV, seja em casa ou em bares (foto), ou até mesmo no caldeirão de Avellaneda, os gremistas viveram aquela final intensamente. O jogo foi típico da história do Grêmio, como se estivéssemos, nós gremistas, torcendo mesmo para nosso clube. Ao final da partida lá, festa acá nas ruas, com cânticos e buzinaços. O tricolor está na Copa Libertadores 2011, enfrenta o uruguaio Liverpool em 26 de janeiro, em Montevidéu, e em 2 de fevereiro, em Porto Alegre, pela 1ª fase ("pré-Libertadores"). Classificando-se para a 2ª fase, entra no Grupo 2: Junior de Barranquilla-COL, Oriente Petrolero-COL e León de Huánuco-PER.

- CAVEIRA! Chegou ao Olímpico por indicação de Renato Portaluppi. Estava na reserva do rebaixável aquela altura Prudente (o que se confirmou) e ao entrar na equipe titular do Grêmio, não saiu mais. Caiu nas graças da torcida, com atuações firmes no combate aos atacantes adversários. Tanto que ganhou o apelido de Paulão Caveirão, em referência aos blindados do BOPE do Rio de Janeiro. Dá "neles", Paulão!

- CAMISA 9. No primeiro semestre o atacante Borges até deu conta do recado. Mas o jogador sucumbiu após Copa do Brasil e lesões o tiraram do restante do ano. Antes mesmo de isto acontecer, desembarcou em Porto Alegre um camisa 9 autêntico: André Lima. Brigador desde o início quando o técnico ainda era Silas, deslanchou com Portaluppi ao ganhar a titularidade ao lado de Jonas. Fez uma grande dupla, assim como Borges havia feito na primeira metade do ano. Ajudou seu colega de ataque a ser o artilheiro do campeonato nacional e ainda marcou 11 gols, sendo o 6° goleador da competição. André Lima já assinou contrato por mais três anos. Que repita ano que vem as atuações deste ano.

- O TALISMÃ. Assim como Paulão, Diego Clementino veio para o Grêmio com indicação do treinador. O atacante também caiu nas graças da torcida rapidamente como o zagueiro. Mas Clementino não era titular. Nunca começou uma partida e entrou no decorrer de apenas 11 jogos, normalmente após os 25 minutos da etapa complementar. Ainda sim, marcou 5 gols, sendo o 4° artilheiro da equipe gremista no Brasileirão. O talismã da torcida, com a sagrada camisa 16 às costas, Diego Clementino.

- O ANO DE JONAS. O ano de 2010 para o atacante começou na reserva. Um erro logo corrigido. No primeiro semestre, a dupla com Borges lhe rendeu 11 gols no Gauchão e mais 8 na Copa do Brasil - em ambas competições foi o artilheiro do clube. O ano ainda não havia acabado, restava outra metade. Apesar da queda no ritmo da equipe, que culminou em crise e demissão de técnico, o Mestre Jonas seguiu sua rotina de gols. Mas o melhor momento do ano para o camisa 7 viria com a chegada de Portaluppi e a nova parceria com André Lima.

No Brasileirão, marcou cinco gols na Era Silas (até a 13ª rodada) e 18 gols na Era Portaluppi. No 2° turno da competição, estufou as redes em 15 oportunidades. Acabou artilheiro com 23 gols (em 33 partidas disputadas), seis a mais que o vice-artilheiro Neymar, do Santos. No total em 2010, Jonas vestiu a camisa tricolor 65 vezes e marcou 42 gols. Ganhou prêmios de artilheiro do Brasileirão (
CBF e Placar/ESPN) e de melhor atacante da competição (CBF e Placar/ESPN).

O artilheiro chegou este ano ao 75° gol com a camisa do Grêmio, superando Loivo e Renato Portaluppi (ambos com 74 gols) na lista dos maiores artilheiros da história do clube e sendo o 5ª da lista atrás de Alcindo (264 gols), Tarciso (222), Baltazar (130) e Osvaldo (106). O ano, sem sombra de dúvidas, foi dele.

- CATEGORIAS DE BASE. O ano foi trágico para as divisões de base do Grêmio. Nenhuma revelação se firmou na equipe de cima ao longo do ano. Os juniores terminaram o ano sem levantar uma conquista. Foram eliminados na 1ª fase das principais competições da categoria (Copa São Paulo, Viareggio Cup, Taça BH e Brasileiro Sub-20) e no Gauchão parou na semifinal (desde 2007 não vencem o estadual). Há também que registrar a péssima campanha na Copa FGF, 6° colocado em chave de seis equipes e eliminado na 2ª fase pelo Novo Hamburgo em placar agregado de 8x1.

Provavelmente devido aos maus resultados do ano, a coordenação das categorias de base desistiu das Copa FGF Sub-19 e Copa Sub-23. Títulos somente nas categorias inferiores. O juvenil conquistou a Copa FGF Sub-17, o infantil foi campeão pela terceira vez do Efipan e o pré-infantil conquistou o bicampeonato da Copa Votorantim. Agora para 2011 é esperar que Odone, sempre cuidadoso com as jovens promessas, reestruture novamente as divisões de base.

- OUTROS. Victor enfim foi chamado para titularidade da Seleção Brasileira (foto) pelo novo técnico Mano Menezes. Gabriel resolveu de vez nosso problema na lateral-direita. Adílson e Fábio Rochemback: dois monstros no meio-campo. Douglas, regenerado, o maestro. Twitter na mão de jogador é arma quase letal, que dirá Souza. Por falar no meia, fim da linha para ele no clube e ele já se debandou para o Fluminense. Leandro chegou como grande contratação e, em razão disso, foi a maior decepção do ano: mal jogou devido às lesões, não marcou gol, brigou com vizinhos e foi a uma festa de torcida são-paulina. E agora a direção gremista tenta despachá-lo.

- 2011 PROMETE! Este ano que se vai ficará marcado na lembrança do gremista. A figura mítica de Portaluppi retornou e colocou ordem na casa. No próximo ano tem mais.
Vivemos de loucura, e nossa maior obsessão estará ao nosso alcance. La Copa se mira, Grêmio! Aguante!

Blog Imortal Sonho
ACREDITANDO QUE EM 2011, DEUS NOS RESERVOU ALGO MUITO MELHOR!


Fotos: CBF, ClicRBS, Diario Olé (Argentina), Ducker.com.br, GREMIO.net e UOL Esporte
Vídeo: You Tube/Ducker.com.br

2 comentários:

heraldo disse...

Meus Parabéns!

Rodrigo Rodrigues disse...

Valeu Heraldo. Fazemos o que podemos.

Abraço.